Essa caneta
Ei, essa caneta
Mal escrevia sobre amor
Por dentro de si, o azul derramou
Sujando o meu papel de belas palavras
Eu não sentia o movimento
Ela era o seu pensamento
Cheio de tinta,
Era mais do que sereno
Era mais do que sútil
Era o seu calor
Que me levava até a borda do rio
Sem meros carretéis de linha
Até ascender o teu papel
Que lá no alto eu a via
O azul da sua bela companhia
Essa caneta ainda escreve
Por mais que ela esteja suja
Ainda escreve em sua blusa
Ela não gosta de escrever palavras de amor
Mas assim, insisto e escrevo do seu glamour
Um pouco de nós no campo, um tico de seu encanto
Que nossos pés tocavam a areia
Que me sentia tão quente,
Quão estar em uma lareira, acesa,
Ei, essa caneta ainda é bonita
O azul me faz lembrar do Céu
Em que nós três escrevia em um magnífico papel...
Hoje vejo que falta aquele doce beijo
Aquele desenho em minhas mãos
E aquela parte de nós deitado no chão,
Clamando várias coisas, em todos os sentidos
Cujo havia sentimentos esparramados no chão
Hoje, tudo o que sobrou
Minha caneta, meu caderno e meu coração
Se derramando em lágrimas pela solidão...